publicado por Thiago Queiroz
Os relatórios do projeto que investiga a relação entre orçamento público, território e desigualdades de gênero e raça já estão disponíveis no site. Os documentos detalham os percursos metodológicos do projeto, destacando seus desafios.
O primeiro relatório apresenta as atualizações financeiras e os gastos efetivamente realizados. A pesquisa identificou que apenas parte dos recursos previstos para ações sensíveis a raça e gênero foi de fato executada, além de destacar a dificuldade de rastrear essas políticas devido à complexidade técnica das peças orçamentárias. Entre os resultados, destaca-se a criação de um banco de dados georreferenciado, que permitiu cruzar informações socioeconômicas com a localização dos investimentos públicos.
O segundo relatório, focado na análise espacial, revelou um desafio crítico: 68% dos empenhos orçamentários analisados (1.317 de 1.937) não tinham qualquer informação sobre localização, como endereços ou bairros beneficiados. Apesar das limitações, a equipe desenvolveu uma metodologia de geocodificação para mapear os recursos, associando-os a coordenadas geográficas. Com isso, o estudo identificou padrões preliminares de distribuição territorial, com ênfase em Zonas de Interesse Social (Zeis) e regiões administrativas, questionando se os gastos estão de fato alcançando os públicos-alvo pretendidos.
Os relatórios apontam para a necessidade de maior transparência e detalhamento geográfico nos dados orçamentários. A ausência de informações espaciais precisas dificulta o controle social e a avaliação do impacto real das políticas públicas. A pesquisa também propõe caminhos para melhorar o monitoramento, como a padronização de descrições de empenhos e a integração de sistemas de gestão com ferramentas de mapeamento.
Os documentos completos já estão disponíveis e oferecem insumos valiosos para gestores, pesquisadores e movimentos sociais. A iniciativa reforça o papel do orçamento como instrumento de enfrentamento às desigualdades.
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